workshop

Jessy Drago sobre o modo de se relacionar com a interdisciplinaridade

convida a um coffee break online e propõe falar sobre imersão na obra de arte

A ARTE CRIANDO PONTE DO ORGÂNICO AO DIGITAL

Como tudo começou?

Eu moro em São Paulo, aqui o tempo é diferente de todos os outros lugares que estive. Quando li o livro “Modernidade Líquida” de Bauman, ele esclarece com eficiência o conceito de espaço e valores. Pela consciência de fluidos cada vez mais rápidos e constantes de que tudo se tornou, percebo que precisamos nos agarrar a algo que realmente faça sentido a nós. Algo “denso”, e entendi que essa “concretude” está no imaterial, além da matéria, do que podemos ver ou tocar.

Quais foram suas influências externas?

Desde pequena tive um olhar de “ver através das coisas” e talvez por meu grande mentor Sebastião Drago ter sido um grande influenciador da Filosofia, me apeguei a um conceito dentro deste universo de “imaterialidade” onde o porquê e como das coisas estavam de uma maneira sublime. Onde George Berkeley criou esta teoria em 1710, alcançando o lado subjetivo de ser e perceber.

Qual a significância de arte contemporânea?

A arte contemporânea ao meu ponto de vista, é a qual a forma e a função agora assume o sentido de significância. Acredito que o artista do futuro está ligado ao design gráfico, onde mora as novas tecnologias, processos de VR, AR e outras maneiras de imersão.

Como conectou a tecnologia na sua arte?

Dei inicio ao meu projeto dentro da contemporaneidade trabalhando junto a tecnologia. Isso nao foi muito bem previsto por mim, mas começei de uma forma orgânica a pintar minhas telas, na minha linha criando seres iluminados "recém-inaugurados" e então conheci a potência da realidade expandida, pude fazer essa ponte com minha arte. Pois para alcançarmos certos níveis sutis, precisamos ter acesso a este lado imaterial, intangível.  Em meus estudos dentro da Universidade Belas Artes, sobre Semiótica, conclui que cada significado é muito particular de cada pessoa. Quando vou visitar uma galeria de arte, a parte mais rica para mim é entre a obra e o visualizador, onde cada interpretação é única, e está ligado as bases de referências e experiências que cada pessoa adquire durante sua própria vida, tornando algo exclusivo. Ou seja, uma obra de arte tem o poder de inúmeras interpretações e significância.

Como a realidade expandida pode influenciar?

Meu principal objetivo, hoje, é trazer na bagagem da minhas telas, um sentimento de pertencimento, onde uma mensagem te faça ter um comportamento reflexivo, de amadurecimento caminhando para um processo de transmutar, iluminar. O ser humano tem uma busca insaneável por entender seu sentido, e acredito que minhas obras possam dar um caminho, muito particular, por este processo interno de transcendência. Me colocar dentro da obra, colocando minha própria voz faz com que mesmo depois de minha matéria, meu corpo, se forem, eu ainda possa manter uma comunicação e passando meus ensinamentos para outros seres que estão na mesma busca em que eu me encontro.

Qual a linguagem das telas?

São partes feridas e esquecidas, dentro de nós mesmos, com profunda necessidade de amor e aceitação. Podemos sim, viver de acordo com a missão mais sublime de nossa alma e encontrar a paz. Está na hora de encararmos o amor com mais seriedade. Segundo palavras de Martin Luther King Jr. “é hora de injetar um novo significado nas veias da civilização humana.” Expandindo o nosso senso de amor pessoal, e além das implicações sociopolíticas. Para quem se identifica,  pode estar por trás de alguma ligação antiga ou crença na qual eu também faço parte. Amor a seres humanos iluminados. E a iluminação não vem da cor da pele que vestimos nessa vida.

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